Dos muitos professores e professoras que tive, poucos permanecem até hoje em minha memória. Manoel de história, foi um dos desses professores que nunca esqueci. Estava na sexta série, e no primeiro dia de aula ele entrou na sala cantando em voz grave e firme: "Boemia, aqui me tens de regresso..."
Eu não sabia o que era boemia nesta época, não sabia também que me apaixonaria por ela. Mas, aquele modo novo – para mim – de começar uma aula me convenceu de que aquele professor era diferente. Ele gostava de ser chamado de Nenel, que era como sua avó de 87 anos o chamava.
Outros professores insistiram em se agarrar a minhas memórias afetivas do tempo de escola. Professora Ariadne era outra delas. Não entrava na sala cantando, não fazia piadas, nem tirava pontos de alunos que erravam as bolinhas de papel lançadas ao lixo.
Ariadne mascava viciosa e serenamente um chiclete com cheiro de hortelã, mandava seus alunos soletrarem palavras, passava dever de casa todos os dias, em resumo, era a "pior" professora que um jovem de treze anos poderia ter.
