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Rogaine, Viagra, Olestra

Roberto fez 30 anos semana passada. Sem muito que fazer, chamou os colegas de trabalho pra um happy-hour na sexta. Não tinha mais sua família por perto para comemorar. Seus pais moravam longe, e o seu relacionamento com eles nunca foi dos melhores. Eu sou os cabelos caídos de Roberto

Roberto saiu de casa pra fazer faculdade em São Paulo aos 18 e de cá nunca mais saiu. Não queria mais saber de voltar pro interior. Seus pais se separaram quando ele tinha 12 e ele foi criado por uma mãe que se virava em duas ou três, já naquela época, pra trazer o pão e cuidar da casa. Seu pai teve outra família e nunca mais foi o mesmo. Aliás, outras famílias, nem as conhecia ao certo.

Vias Expressas

Estamos todos dirigindo por vias de alta velocidade, algumas vias mais rápidas, outras mais lentas, porém nem todos sabemos para onde estamos indo.

Há um infinito número de out-doors postos aos dois lados das vias e muitos balões-propaganda por sobre as mesmas, todos com o lixo publicitário de costume.

A grande maioria dos motoristas e passageiros acostumou-se, desde a infância, a olhar para os lados, para os out-doors, causando assim uma espécie de sedimentação no início da coluna vertebral que provoca fortes dores quando se posiciona a cabeça para frente.

O espetáculo da pesca

Ainda não se vê o sol quando chegam ao local de trabalho, por volta das quatro horas e meia da manhã. Sozinhos ou em grupos vão compondo o cenário. Alguns conversam, outros permanecem calados e sentados. A espera é pouca, ainda está escuro quando começam a rotina de mais uma jornada no mar.

Três homens levam a jangada de cor laranja da areia da praia até a água do mar, por meio de dois troncos de coqueiro, ocos no meio, que servem de rodas, além de duas estacas de madeira, que servem de alavanca para suspendê-la e trocar a posição dos troncos. Entram no mar; e quando estão lá, o sol nasce clareando a água e o trabalho dos pescadores. O vento sudeste tem a mesma intensidade antes e depois do sol sair, provocando o mesmo som na batida da onda.

Sobre Franciscos, meninos e homens

Chegou. Deu boa tarde. Abriu a sala. Abriu as janelas rezando para não encontrar nenhuma lagartixa sorrateira. Ligou os computadores. Reclamou do calor. Reclamou do universo quando percebeu que esqueceu sua garrafa de água. Reclamou do mundo quando lhe comunicam que irá trabalhar na quarta de cinzas. Amoleceu. Lembrou-se da panqueca do almoço e se acalmou. Os estudantes entraram. Munidos de caderninhos, folhas, vontade, décadas nas costas e muitas dúvidas. Eles sorriem para ela como se aquela cara morena fosse a moldura de um espelho. Aquelas máquinas deixaram de ser monstros e viraram mágicas para eles. Tudo devido a uma incrível explicação e prática em... mouse e teclado.

Ouviu relatos de quem tem 40, 50, 60, 70 e até 80 anos. Dizem que entrar na internet nessa idade dá mais prazer e é até mais seguro que fazer bolo de fubá. Viva o delivery da padaria. Mais seguro e menos gostoso. Mas se pensa que a interação dos idosos em um curso de Inclusão Digital se resume a ver receitas de bolos, estão tão enganados como ela estava. Chats, fotos, e-mails, mapas, pesquisas, livros, vídeos e inquietações que deixariam os adolescentes informatizados de queixo caído. É a luta de classes dos bits.

Explicou. Deu risada. Tomou um café. Explicou de novo. Explicou de novo. E de novo. Perdeu a paciência. Deu risada. Respirou. Explicou até entenderem. Percebeu que o problema era sua explicação. Mudou.