UMA FATIA: FILACANTOS

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
   Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão...” (Drummond)


Gosto de deslizar entre as raízes entrelaçadas, enamoradas
............................filacantos..............................
Esgueirar-me por suas entrâncias e reentrâncias dilaceradas
Colher um pouco do néctar intenso ora aqui ora acolá
Para explodir em arbusto híbrido sobre o solo árido

Gosto de sentir o pulsar do corpo no movimento circular,
...........................sinuoso....................................
Do silêncio recôndito, a deglutir vidas em ceifa atemporal
Aconchegar-me a quem ali adormece calmamente, na vigília
Ouvir os sussurros de quem geme na brisa noturna

Gosto de saciar a sede nos pequenos veios venosos,
.............................embriaguez.......................................
Cambalear no tiro disparado sem direção e sem alvo uno
Deixar livros, amigos, riquezas, vergonhas...dançar velado

Deixar que minha face triste, magra e que meus olhos
.................................vazios................................................
Nem dêem por suas mudanças simples, certas e fáceis
Brincar de querer ser aquilo que a gente não é, quem sabe...ir além.

3 comentários:

  1. DUAS CARAS

    Deus e o diabo na terra do sol.

    Peter Pan e a terra do nunca.

    O peixe cardume Moby Dick,
    A rede, o arpão e o anzol.

    ResponderExcluir
  2. Simples Enganos (Romy)

    Quando imbuído de insegurança
    Externamente travestida de orgulho
    Tomado torna-se o pobrezinho
    Em terra delira quixotescamente

    Mãos, pernas e costas apoiadas
    Salvação em escombros a boiar
    Burla em si mesmo a legalidade
    Fragilidade ancorada noutros mares

    Capaz fosse de extrapolar a couraça
    Explodindo em cores e viva nuance
    Ao longe veríamos rastros de liberdade
    A varrer o céu em noite nevada

    Que fazer se assim é dominado
    Que fazer se assim domina
    Dentro dos limites da possibilidade
    A cabeça tranqüila acolhe o travesseiro

    E ele que pensava dominar o mundo
    Com palavras, faz senão dominar
    A si mesmo com engodos
    Que insiste arraigar geração após geração

    ResponderExcluir

Neste jogo autoral não são permitidos comentários aos textos. Este formulário de comentários deve ser utilizado exclusivamente para postar textos autorais ou de autoria de terceiros, inspirados diretamente na (ou lembrados a partir da) postagem a ser comentada. E mesmo os que não estejam cadastrados como jogadores-autores podem postar textos nos comentários. Contamos com a colaboração de todos para o bom andamento do jogo.