O coração gaguejava lamentos sob o sol a pino. A garganta seca não podia mais. Os balbucios perderam-se pelo caminho. O coração gaguejava sob a solidão a pino – abandono que queimava a pele, rachava os lábios. Era assim. Um homem só neste mundo de milhões.
O coração gaguejava sobre a terra rachada, a boca rachada calava, a garganta seca rachava no silêncio. No estômago só a mágoa que engolira, a raiva que engolira e uma úlcera dolorosa – na falta do alimento, o órgão devorava a si mesmo. No intestino, vermes. Na falta dos restos que a vida lhe negara, que então outras vidas inermes se alimentassem de sua polpa escassa.
O céu sem nuvens, sol e solidão a pino. Tudo em volta era uma fogueira, ele era a lenha, um homem tão só neste mundo de milhões. Nem uma nuvem ao longe anunciava a vinda de uma gota sequer. Passara já por um bezerro todo feito de costelas que o fez salivar. Ali era tudo faminto e seco. No ventre da terra vida nenhuma vingava.