vou falar proceis que o belo me enche, me enche de nhaca
porque contra o belezão nada se pode, ele te suga
de repente cê tá lá falando da pereba do cachorro sarnento abandonado e o belo te pegou
e ninguém mais lembra porque é que eu tava falando do cão moribundo
nem eu lembro, eu volto pra primeira frase e tento
tinha começado bem, mas aí vieram umas expressões tão lindas sobre a pele casca do cão
umas aliterações quase acidentais e pronto
umas metáforas e deu-se
transportou-se
foi-se o leitor e o escritor
embriagaram-se da cachaça do belo
e ficam ali atentos, pra descobrir o que pegou
não era a sarna, nem o abandono
quem sabe se as palavras, ou o enquadramento
tudo se pode enquadrar
até o mendigo fedido fica bonitão em pb
e choro ao ler
choro ao escrever
nos compadecemos da nossa capacidade de nos compadecer com a fossa
ó, vai tomar no cu belezão
senta aqui