O décimo sétimo verso
1 Não há reis que
lavrem seus muitos campos,
5 Quem, por ventura, colhe aos olhos as cores?
2 como fazem aos montes uns outros os deles
6 melodias, encantos, os prantos e os versos?
4 é também o contexto que fabrica os haveres
8 não vos enganai com estes humanos excessos
5 Quem, por ventura, colhe aos olhos as cores?
2 como fazem aos montes uns outros os deles
6 melodias, encantos, os prantos e os versos?
3 Não há nas
fábricas ou lojas filósofos tantos,
7 Brutos, sensíveis,
mesquinhos e acolhedores4 é também o contexto que fabrica os haveres
8 não vos enganai com estes humanos excessos
A Morte Prematura de uma Dúvida
O coração gaguejava lamentos sob o sol a pino. A garganta
seca não podia mais. Os balbucios perderam-se pelo caminho. O coração gaguejava
sob a solidão a pino – um abandono que queimava a pele, rachava os lábios. Era
assim. Um homem só neste mundo de milhões.
O coração gaguejava sobre a terra rachada, a boca rachada
calava, a garganta seca engolia um árido silêncio. No estômago só a raiva e uma úlcera dolorosa – na falta do alimento, o
órgão devorava a si mesmo. No intestino, vermes. Na falta dos restos que a vida
lhe negara, que então outras vidas inermes se alimentassem de sua polpa
escassa.
Do sul, Américas
LISARB – BRASIL – ANAGRAMAS
SALRIB (onde o ribeirão encontra
o mar, água doce-salgada, agridoce céu da boca)
LISARB (Lisboa Arborescente, mais-valia Pau Brasil, tantas plantas mais)
LISARB (Lisboa Arborescente, mais-valia Pau Brasil, tantas plantas mais)
A passagem de Kronos, o nome que lhe deram, ou os nomes que lhe dão, vou chamá-lo de Macunaíma, bater o cartão, a hora da novela, deus ajuda quem cedo madruga, o apito da fábrica, a ambiguidade do crepúsculo, toque de recolher na favela, que preguiiiiiiiiça...
Boletim de Ocorrência
- Pode relatar o ocorrido?
- Claro! Eu estava bem quando ele passou. Passou por mim. Através de mim. Enquanto ele passava eu pude entender melhor tudo à minha volta. Mas foi muito doloroso. Ele levou minha juventude, minha saúde, minha energia. Ele levou meus amores, meus sonhos, minhas oportunidades! E então levou minha mãe! Ela que sempre disse que ele era bom, que ele tinha ajudado a resolver os problemas mais graves da família, e ele nem se importou! Eu tentei impedi-lo. Fiz de tudo! Gritei até quase perder a voz! Tentei entrar na sua frente, mas eu já disse: Ele passou por mim; Passou através de mim! E levou tudo o que eu tinha. Eu tentei impedi-lo. Fiz de tudo! Tudo o que encontrei joguei no seu caminho! Fiz barricadas! Mas ele passou por tudo, através de tudo e levou tudo o que eu tinha! Nada o detém! Eu tentei agarrá-lo, prendê-lo... finquei estacas nos seus rastros no intento de ao menos retardá-lo, mas ele passou indiferente. E agora levou meus filhos! Eu implorei para ele voltar, mas ele não volta!
- Por favor, acalme-se e seja mais objetivo... Quem é ele?
Tatuagem Monocromática
“Batidas
na porta da frente
É o tempo.
Eu bebo um
pouquinho pra ter argumento...” (Resposta ao Tempo, Aldir Blanc)
Acordava
intermitentemente durante a noite, sonhava estar só. A angústia rasgava a
garganta em gritos alucinados que ecoavam na noite quieta e morna.
Os gritos
arrancavam do sono profundo, repentinamente, a filha em sentinela, o coração de
quem espera por notícia ruim a qualquer momento galopava no peito. Após breve
pausa, a serenidade voltava ao lar, já envelhecido com suas histórias devidamente
marcadas no compasso de cada rachadura a correr pelas paredes.
Hybrid by Skin
A tristeza faz parte das equações
sem solução. Já vi isso no filme Incêndios, Vinícius canta isso como religião.
Canta nos reverbs dos registros audiovisuais, instrumentos e intérpretes,
memória nada mais, onde quem percebe cria vínculos subjetivos, afetivos, do
coração ao cérebro, algo bate, algo corre. A descoberta do afeto, ouvindo quem
já morreu.
Do aviso vítima
Sou mais uma vítima do aviso
Não me poderia ter largado, de todo, ao imprevisto?
Jamais se deve dar ouvidos
A um homem com uma profecia
Esse corredor reto e liso
Que trata com franco descaso
o quinhão que cabe à poesia
Um balde raso transbordando água fria.
Não me poderia ter largado, de todo, ao imprevisto?
Jamais se deve dar ouvidos
A um homem com uma profecia
Esse corredor reto e liso
Que trata com franco descaso
o quinhão que cabe à poesia
Um balde raso transbordando água fria.
Dos traços
Pintou nela um corpo de traços móveis
Caminhou por ele em passos de cores fortes
Atravessaram-se
Viveram-se por dentro
Os cheiros construíram castelos
Instalaram-se em tons de azul, um tanto de mar, um tanto de susto
Risco vermelho
Há uma tela branca
É tanto que não sabe.
Caminhou por ele em passos de cores fortes
Atravessaram-se
Viveram-se por dentro
Os cheiros construíram castelos
Instalaram-se em tons de azul, um tanto de mar, um tanto de susto
Risco vermelho
Há uma tela branca
É tanto que não sabe.
Fruta Estranha
O corpo roça a parede
Num incessante vai e vem
Braços abertos agarrados ao nada
Chamam para si quem passa
Unhas marcam o compasso na tinta fresca
A escuridão roça os pés
Desnudos sob o gramado frio
Na noite fria
Desnuda
As pernas semi-abertas brincam
Em curvas sinuosas, sobem e descem
A boca implora carinho e prazer
Olhos, quais estrelas cadentes
Desejosos...
De pedidos secretos saciados
Esgueirando esquinas, as estrelas
Espiando entre os prédios a lua descuidada,
Expõe cabelo umedecido pela névoa,
A arredondar mais sua face brilhosa
Na agulha, a embalar sonhos adormecidos
Strange Fruit de Billie Holiday
No vão, a solidão acompanhada rastreia,
...qual antena de TV
Momentos de prazer
E fúria.
Num incessante vai e vem
Braços abertos agarrados ao nada
Chamam para si quem passa
Unhas marcam o compasso na tinta fresca
A escuridão roça os pés
Desnudos sob o gramado frio
Na noite fria
Desnuda
As pernas semi-abertas brincam
Em curvas sinuosas, sobem e descem
A boca implora carinho e prazer
Olhos, quais estrelas cadentes
Desejosos...
De pedidos secretos saciados
Esgueirando esquinas, as estrelas
Espiando entre os prédios a lua descuidada,
Expõe cabelo umedecido pela névoa,
A arredondar mais sua face brilhosa
Na agulha, a embalar sonhos adormecidos
Strange Fruit de Billie Holiday
No vão, a solidão acompanhada rastreia,
...qual antena de TV
Momentos de prazer
E fúria.
Miséria de Civilização
Esses dias
eu vi uma garça
com uma
plumagem branca
pousada no meio de um rio negro
cheio de
esgoto e doenças
Ela tinha
uma altivez na postura
que
raramente os animais perdem
a não ser depois
de muito maltrato e abandono
no convívio dos homens
no convívio dos homens
estava
sozinha e observava a cidade cinza
"O cão sem plumas"
Os pássaros azuis vagam
Acima das nuvens claras
Sob seu manto escarlate
Resta-nos apreciar o voo deslumbrante
Suave, levado ao sabor do vento
Olhos voltados aos céus
Pinço cada movimento
Mente anestesiada a vagar em cada rodopio
Acima das nuvens claras
Sob seu manto escarlate
Resta-nos apreciar o voo deslumbrante
Suave, levado ao sabor do vento
Olhos voltados aos céus
Pinço cada movimento
Mente anestesiada a vagar em cada rodopio
A gente
As vezes paro.
As canetas param.
O teclado para.
A cabeça não.
Me deparo,
Me debato,
Tento em vão me sossegar.
Disfarço.
As canetas param.
O teclado para.
A cabeça não.
Me deparo,
Me debato,
Tento em vão me sossegar.
Disfarço.
Gol de Placa
Gosto de brincar nesse mundo
driblar o medo, presentear a vida
marcar um gol de placa todo dia
quanta beleza num drible sem bola
como o poeta quando escreve sem palavras
há uma beleza ainda maior
quando se desafia a estupidez
com alguma graça
quando se dribla a maldade
dribla-se a solidão com a amizade
são atributos do jogador
o dom de saber iludir
e o de despertar amor em toda parte
driblar o medo, presentear a vida
marcar um gol de placa todo dia
quanta beleza num drible sem bola
como o poeta quando escreve sem palavras
há uma beleza ainda maior
quando se desafia a estupidez
com alguma graça
quando se dribla a maldade
dribla-se a solidão com a amizade
são atributos do jogador
o dom de saber iludir
e o de despertar amor em toda parte
Drible de Categoria
Não gosto de futebol
Visto, pensam não ser eu brasileira
Brasil Pais do futebol!
Mas, nem tudo é perfeito
E uso regras deste esporte
Cotidianamente...
Driblo a burrice.
Diz o poeta “a burrice é invencível”
Clareza inigualável!
Por que me ponho a driblar então?
Porque não consigo exterminá-la.
Quanta energia gasta...
Quanta tristeza na face...
Quantos aborrecimentos vis...
Burrice. Melhor então aderir a ti?
Nesta hora percebo:
Algumas coisas são irreversíveis.
Visto, pensam não ser eu brasileira
Brasil Pais do futebol!
Mas, nem tudo é perfeito
E uso regras deste esporte
Cotidianamente...
Driblo a burrice.
Diz o poeta “a burrice é invencível”
Clareza inigualável!
Por que me ponho a driblar então?
Porque não consigo exterminá-la.
Quanta energia gasta...
Quanta tristeza na face...
Quantos aborrecimentos vis...
Burrice. Melhor então aderir a ti?
Nesta hora percebo:
Algumas coisas são irreversíveis.
Leda e o cisne
Da banca do homem mal
à beleza da fêmea fatal.
à beleza da fêmea fatal.
Quando a natureza (sábia?)
é infinitamente mais letal.
Engendraram-se uns nos outros,
engrenados.
engrenados.
Não sendo Yeats como gostaria, ele é ao menos honesto
Tenho eu outra coisa, a bordar nos céus, que nuvens
densa camada de não sei que substância hostil
desencanto, amargura e essa aspereza crassa
não os semitons, nuances ou a meia luz sutil
Espalharia sob seus pés amor algum se acaso tivesse
Mas eu, sendo de espirito pobre, tenho apenas rancor
Eu espalhei rancor sob os seus pés
Caminhe delicadamente ou afunde - como queira.
densa camada de não sei que substância hostil
desencanto, amargura e essa aspereza crassa
não os semitons, nuances ou a meia luz sutil
Espalharia sob seus pés amor algum se acaso tivesse
Mas eu, sendo de espirito pobre, tenho apenas rancor
Eu espalhei rancor sob os seus pés
Caminhe delicadamente ou afunde - como queira.
E passa
Esgarça-se no espaço.
Materializa-se como rastro em qualquer direção.
É vulto.
Voa.
Treme.
Fura.
Invade.
Arrasta.
Faz.
E passa.
Materializa-se como rastro em qualquer direção.
É vulto.
Voa.
Treme.
Fura.
Invade.
Arrasta.
Faz.
E passa.
Corro pois não gostei das asas
Ando para não possuir o mundo,
Ando pra não deixar possuir,
Ando para não parar e perceber que canso,
Perceber a dor, perceber arder.
Ando pois cada passo é um esquecer,
Ou um lembrar do que há de vir,
Ando como quem corre para um não sei onde,
Como quem corre para nunca chegar,
Como quem anda por estar perto,
E quando corro deixo.
Deixo viver, deixo correr.
Ando pra não deixar possuir,
Ando para não parar e perceber que canso,
Perceber a dor, perceber arder.
Ando pois cada passo é um esquecer,
Ou um lembrar do que há de vir,
Ando como quem corre para um não sei onde,
Como quem corre para nunca chegar,
Como quem anda por estar perto,
E quando corro deixo.
Deixo viver, deixo correr.
Sawubonas'Breu
Enriquecido
de meu próprio corpo
desfilo convicto
Fabricado seja amor
ou estupro
mesmo in vitro
A máscara e eu
E por alguns dias levo minha(s) máscara(s) pra passear! Posso fingir, assim...tranquilamente!
A boca encarnada, os olhos borrados.
- Lágrimas?
- Chuva.
E posso aguachover, misturada com quem ali estiver: cúmplices inebriados do que está aqui dentro, do que está ali dentro.
A máscara e eu!
Nós duas podemos, em meio aos confetes, doer... languidamente!
A boca encarnada, os olhos borrados.
- Lágrimas?
- Chuva.
E posso aguachover, misturada com quem ali estiver: cúmplices inebriados do que está aqui dentro, do que está ali dentro.
A máscara e eu!
Nós duas podemos, em meio aos confetes, doer... languidamente!
o "sentido do carnaval" é anterior ao seu, mas poderia ser posterior
eu te levaria pela mão e ia te mostrar que esse negócio que dizem que já morreu (o sentido do carnaval) tá por aí. imagino que se você acreditasse no carnaval seria mais simples olhar pra você sem sorrir, andar de cavalinho, beijar sua nuca, correr dando risada, pular em cima da cama, te mostrar as batidas do meu coração. é difícil convencer alguém oferecendo tão pouco, eu sei. pra você acreditar no carnaval, teria que acreditar que as coisas não têm um sentido único. teria que achar que nada é mais bonito que um espasmo. você teria que querer esquecer que tipo de sujeito acredita que é. você teria que conhecer e amar a inutilidade de uma ação. as inutilidades são fundamentais, ou não são? se você aceitasse o carnaval, a gente poderia fazer o que temos evitado por pura falta de lógica. se você amasse o carnaval como eu, colocaria sua cabeça no meu colo e beijaria minha barriga só pra ouvir o estalo. riríamos juntos de nada especial. não seríamos mais irônicos publicamente e talvez fôssemos mais felizes. se você quisesse, teríamos todas as terças e quartas, quintas, sextas-feiras e dias que quiséssemos pra tentar
Imagina, imagina
Farras e fitas e eu quero morrer
assim no seu colo e tantas e tintas e você é tão bonita assim quando gira em tambores
e pandeiros e eu sou tão bonito assim quando tudo gira em guizos e gozos e entra
na roda morena pra ver repentes serpentinas serpenteia e me beija e me pega em brilhos
e bolhas e pulhas mas você tem tudo tem graça “imagina imagina hoje à noite a
gente se perder” em saltos sandálias plumas fitas feitos cores claras cintilâncias
imagina imagina...
Caravana
E a vida vai puxando o carro,
água eletricidade aminoácidos.
Carnaval!
Auto da barca do inferno,
ou a procissão dos deuses.
De Teogonia ao Candomblé.
UMA FATIA: FILACANTOS
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi
um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão...” (Drummond)
Esgueirar-me por suas entrâncias e reentrâncias dilaceradas
Colher um pouco do néctar intenso ora aqui ora acolá
Para explodir em arbusto híbrido sobre o solo árido
Aconchegar-me a quem ali adormece calmamente, na vigília
Ouvir os sussurros de quem geme na brisa noturna
Cambalear no tiro disparado sem direção e sem alvo uno
Deixar livros, amigos, riquezas, vergonhas...dançar velado
Nem dêem por suas mudanças simples, certas e fáceis
Brincar de querer ser aquilo que a gente não é, quem sabe...ir além.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão...” (Drummond)
Gosto de deslizar entre as raízes entrelaçadas, enamoradas
............................filacantos..............................Esgueirar-me por suas entrâncias e reentrâncias dilaceradas
Colher um pouco do néctar intenso ora aqui ora acolá
Para explodir em arbusto híbrido sobre o solo árido
Gosto de sentir o pulsar do corpo no movimento circular,
...........................sinuoso....................................
Do silêncio recôndito, a deglutir vidas em ceifa atemporal Aconchegar-me a quem ali adormece calmamente, na vigília
Ouvir os sussurros de quem geme na brisa noturna
Gosto de saciar a sede nos pequenos veios venosos,
.............................embriaguez.......................................Cambalear no tiro disparado sem direção e sem alvo uno
Deixar livros, amigos, riquezas, vergonhas...dançar velado
Deixar que minha face triste, magra e que meus olhos
.................................vazios................................................Nem dêem por suas mudanças simples, certas e fáceis
Brincar de querer ser aquilo que a gente não é, quem sabe...ir além.
O deserto e a deriva
relação de amor
em cima da linha
melódica.
outro estranho,
céu e terra,
rosto amigo.
Imensidão
inóspita
Palhaça inversa
Não me pintei
de palhaço.
Me pintei de
nuvem, fantasia, drama e tatuagem.
Mas nunca de
palhaço.
Me pintei de
mocinha, fantasminha, borralheira sem carruagem.
Me pintei de
puta, homem, cigana, marginal.
Mas nunca de
palhaça.
Me pintaram.
Palhaçada Moderna
Pintei meu rosto de branco
Preenchi toda a face num tom
Sobre as bochechas abri um grande riso
Abraçando também a boca
Do olho desci uma lágrima prateada
Olhar a vida sob o prisma
Da alegria...
Na modernidade...
Só se for com cara e boca
De palhaço
Pingando na pedra
Poros cálidos dia
Pele úmida noite
O choro gozo asfixia
Contato veneno matilha
Sorte
Enfrentamento
Enfrentamento
Incrustação
Delicada análise
Ceifa corte
Lápide
Rápida decisão
Executor
freqüência
Lapidante
Diamante
Diamante
Dinamite
Máquina
Máquina
A marcha dos sentidos sobre terra árida e indiferença
Avante olhos incorruptíveis
hirtos e de franca estreiteza
Avante contra toda essa corrente-luz
Matéria refletida e percepção coesa
Silêncio imperioso a que se reduz
o inadvertido ouvido
pai da mais viril clareza
hirtos e de franca estreiteza
Avante contra toda essa corrente-luz
Matéria refletida e percepção coesa
Silêncio imperioso a que se reduz
o inadvertido ouvido
pai da mais viril clareza
Esquecimento amarelo
Choviam flores amarelas
E por segundos esqueci quem era
Assim, como em tardes de primavera
E se tudo fossem flores, quimera.
O homem sentado logo adiante
Em viagens alucinantes
Do seu cachimbo brilhante
Esqueceu tudo por instantes
O Fantasma no Espelho
"Os olhos são espelhos d'alma"
E alma lá precisa de espelho pra se enxergar?
O espelho reflete o fantasma, aquele, soturno vindo pelo
corredor escuro
Envolto na fumaça pinçada da ilusão cotidiana do viver
Fantasma que vivo, perambula por cômodos vazios a impregnar
ambientes
Sim, o espelho reflete o fantasma-homem e sorri dele
Que ingenuamente cava suas covas dia após outro
Ah fantasma! Recolhe tuas vestes rotas, outrora tecidas por
mãos habilidosas
Apanha tua botina velha a carregar resquícios do lamaçal
E marca o céu azul anil com teus passos febris rumo à
imensidão
Corri na direção contrária
Corri na direção contrária
Mas mesmo essa
Acabava em poças feitas de seus restos
Em meus olhos
E em teus olhos - cor de café
Me via nua e à espera
Do que disse que não quereria
Eles fixos, balbuciam teu nome
Me descolando de mim.
E, correndo pra se fazer gesto
Mas mesmo essa
Acabava em poças feitas de seus restos
Em meus olhos
E em teus olhos - cor de café
Me via nua e à espera
Do que disse que não quereria
Eles fixos, balbuciam teu nome
Me descolando de mim.
E, correndo pra se fazer gesto
Perdem-se em sua sobra de vista
Mais uma vez
E esses olhos - Ah esses olhos
Tornaram-se íntimos de minh'alma
Mais uma vez
E esses olhos - Ah esses olhos
Tornaram-se íntimos de minh'alma
Na nau
Lá vem. E outra vez. Foi onda que fez o nível baixar subir baixar do mar. Nessa embarcação, o peso do cobre não é perigo: não existe. Os temperos humildes que recobrem nosso casco perfumam os espaços nas dispensas, nos bolsos, no vento. E tem mais gente a estibordo, que peso trazem elas? Trazem promessas, juventudes, solidões.
Içar velas, subir âncora. As fomes movem nossos braços e levam mãos frias e perfumadas para o trabalho de todo dia todo-o-dia. Acorda a ideia, recheia o fôlego. Prepara o pão para guardar, estende a roupa, divide o pouco. Enquanto isso, a brisa felina invade os cômodos, sinuosa, e nos lembra de brilharmos juntos, porque o sol está na popa. Então traz frutas.
Içar velas, subir âncora. As fomes movem nossos braços e levam mãos frias e perfumadas para o trabalho de todo dia todo-o-dia. Acorda a ideia, recheia o fôlego. Prepara o pão para guardar, estende a roupa, divide o pouco. Enquanto isso, a brisa felina invade os cômodos, sinuosa, e nos lembra de brilharmos juntos, porque o sol está na popa. Então traz frutas.
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